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Reflexão

Há alguns anos, minha professora de Redação jogou meu texto sobre a carteira em que eu estava e disse, com os lábios tremendo de nervoso: "Você escreve para machucar as pessoas?!". Nesse instante, descobri que eu tinha, sim, essa possibilidade, e até mesmo, (vergonha para mim) a usei. Mas o tempo sempre cura a maldade, e aprendi que não mais deveria machucar ao escrever: passei a ser simplório e banal, descrevendo cenas do meu cotidiano. Meu empirismo literário me levou à triste constatação de que, hoje, sou eu que me machuco ao escrever. Por dois motivos principais: o primeiro - nem sempre consigo discorrer sobre o que quero, o que sinto ou o que realmente importa pra mim, e isso me frustra; o segundo - eu adoraria poder voltar no tempo e ter largado a caneta durante aquela redação, talvez a causa de tantas tristezas hoje fosse minimizada. No campo profissional, talvez, eu não seria um pseudo-historiador-arqueólogo, mas, penso comigo, eu ficaria sem a única parte que jamais me abandonou em minha vida: os meus romanos. E vem outra voz dizendo: "Então, Alex, por que escreve quando ama?". Por burrice. Pura burrice. Pára, Alex, por favor. É uma tristeza que você sente agora, Alex, por favor, pára. Tudo bem... fim.


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