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Irish coffee

O açúcar mascavo começava a derreter no fundo do copo. Misturando-se ao uísque. Ao café. Passando pelo creme batido. Passando pela boca dela. Bigode de leite. Sorriso infantil. Bebeu também, acompanhando-a. Sua mão, pequena por natureza, deslizou sobre a madeira clara da mesa, virando-se repentinamente, como se buscasse ar. A palma. O monte de Vênus. Rosa mão. Dedinhos pulantes chamando. Retribuiu o carinho, pousando sua pele esquentada pelo copo de vidro grosso, encostando as pontas dos dedos nos dela. Piano humano. E ela jogou o cabelo para trás. E perdeu-se olhando pela janela da cafeteria. Um gato passava por ali. Seus olhos diminuíram graças à hipérbole formada pelos dentes. Parecia não notar que ele a reparava. Mais um gole. Resquícios do creme em seus lábios. Psiu, ele chamou. Psiu, e ele limpou sua boca com o polegar do violão. Psiu, e ela deu um pequeno beijo nas inúmeras linhas presentes na pele daquele dedo faxineiro. Sendo ladra, reconfortou o rosto em sua mão, degustando o creme batido anteriormente pela atendente de olhos claros. Foram embora. No meio do caminho, ela parou. Ficou de frente a ele. Encostou-se, colocando as mãos sobre o peito daquele ser. Sua cabeça ficou à altura do coração. Ele a apertou e abaixou a cabeça. “Está tudo bem?” – indagou próximo ao ouvido dela. “Eu te amo...” – ela respondeu sem o olhar, deixando escapar pela barreira dos dentes o morno hálito do café irlandês.


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